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Novidades Orgânicas

outubro 9, 2009

organicos2Parece que o censo comum já absorveu bem a idéia que os alimentos orgânicos são aqueles produzidos sem o uso de agrotóxicos e pesticidas, parece ainda faltar um entendimento mais completo que estes produtos também podem trazer benefícios sob o ponto de vista da otimização dos recursos naturais, como preservação do solo e da água, pois evitam contaminação e outros de ordem socioeconômica, já há estudos que mostram melhoria nas relações de trabalho e condições de vida do produtor orgânico, em geral benefícios e garantias trabalhistas que são exigências das certificadoras de alimentos orgânicos.

Duas notícias recentes trazem novas e importantes informações sobre esse tipo de produção. A primeira é que a partir de 2010 toda a produção orgânica deverá apresentar o selo da Sisorg (Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica) para serem comercializados como orgânicos, não precisam do selo aqueles produtos vendidos diretamente ao consumidor pelo produtor.  Essa iniciativa do governo federal cria um cadastro nacional que permite ao governo levantar informações e estatísticas sobre a produção e comercialização e também ajuda o consumidor a identificar um selo único como referência para esse tipo de produto.

Já a outra notícia é sobre o valor nutricional dos orgânicos, uma revisão de estudos e artigos científicos publicada no American Journal of Clinical Nutrition revelou que não há evidências sobre o fato dos orgânicos possuírem maior valor nutricional do que os convencionais. Algo que estava sendo sustentado por parte da comunidade científica como um motivo a mais para se consumir orgânicos.

Essas notícias estão sendo debatidas e parecem que ainda vão dar o que falar, mas o que considero importante é que o selo único deverá ajudar os proprietários de estabelecimentos que fazem uso desses produtos orgânicos a eleger fornecedores dentro dos padrões exigidos pela legislação brasileira, uma vez que o produtor orgânico pode optar entre distintas certificadoras.

Já quanto à notícia sobre o fato de não haver diferenças significativas entre o valor nutricional de convencionais e orgânicos não deve desestimular o consumo desses últimos, sou da opinião que o fato de se poder fazer um uso mais integral dos alimentos orgânicos, incluindo as ramas, raízes e cascas, continua sendo um excelente motivo para optar por esses. Uma vez  que muitos dos produtos convencionais apresentam altas concentrações de agrotóxicos justamente nessas partes, e se recomenda descartá-las.

COLHER DE CHÁ – Para quem pretende comer uma comida vegetariana orgânica de qualidade recomendo o almoço no Galleria Orgânica, um dos restaurantes mais sérios e criativos que seguem essa tendência em São Paulo, aliás, restaurante onde iniciei meus passos na cozinha profissional.  http://galleriaorganica.wordpress.com/

Se a opção for jantar fique sabendo que a eleita chef do ano pela Revista Veja São Paulo Helena Rizzo também é adepta do uso de produtos orgânicos, embora não exclusivamente, no seu restaurante Maní. http://www.restaurantemani.com.br/ Read the rest of this entry ?

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feijoada “de quarta”

setembro 23, 2009

FOTO FLAGRA:jhon_renata

Jhon Helder e Renata Bastos em momento pré-feiju. O lugar por nome ninguém conhece, o que pega é que essa é a feiju do PF que fica na esquina da Lorena com a Ministro. Jhon Jhon (assessor e produtor de moda) dá o motivo: nada melhor que um dia frio e o conforto de uma feijoada para botar os BAFOS em dia e programar a semana. Re (que recebe, anima e veste os descolados de sampa, acreditem essa moça se vira nos trinta e acumula atividades como gerente de um dos brechós mais legais da city , hostess & performer das baladas mais glamurosas e safadinhas que se tem notícia, ufá) dá a dica: se joga na Strip Poker vs Bang de sexta no Vegas, a noite promete com Luca e Liana, the Phantoms Revenge (projeto do dj francês e blogueiro Anthony Comte) e performances absurdinhas adivinha de quem? Será a última noite do projeto nesse endereço, depois disso tem novidade por ai…mas isso é outra história.

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Veja São Paulo – Comer & Beber 2009/2010

setembro 23, 2009

 

2131gEstá nas bancas desde o último domingo a edição especial da Veja São Paulo Comer & Beber 2009/10.  Esse ano a revista reúne em 500 páginas resenhas sobre 1170 empreendimentos divididos em quatro grandes categorias: Comidinhas, Bares, Lojas de Vinhos e Restaurantes. Traz ainda os premiados em categorias que compõem cada uma dessas grandes sessões.  Os empreendimentos são eleitos por um  júri selecionado que parece ter a intenção de reunir especialistas da área gastronômica e algumas personalidades (do mundo editoral, da moda e artístico)  

Na geografia gastronômica da cidade nenhuma novidade.  A região dos Jardins e Itaim Bibi permanecem concentrando a maior parte dos premiados nas categorias Restaurantes e Comidinhas. A Vila Madalena e Pinheiros também seguem sua vocação boêmia e concentram premiados na categoria Bares.  Agora o embalo parace ser resistir aos teores álcoolicos que emanam do início da região Oeste  e seguir para conhecer o Saj, vencedor na categoria  Bom e Barato e o Vito, do Chef Revelação André Mifano.

SE LIGA! Detalhes sobre a geografia gastrônomica da cidade, no portal da veja: http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/230909/mapa.html

 
 
 
 
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O universo gastronômico está em toda parte – Mega post de estréia

setembro 15, 2009

São Petersburgo – Brasília – Rio de Janeiro – São Paulo – São Petersburgo

Convicto que o interesse gastronômico pode funcionar como uma lente para olhar o mundo e confortado pelo frio ameno daqueles deliciosos dias prateados quando o sol brilha fraco atrás de um céu baixo, parti de Ipanema direto para o Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro. Corri para ver os últimos dias da mostra Virada Russa por lá, a exposição chega a São Paulo hoje, 15 de setembro de 2009.

SE LIGA! Depois de passar por Brasília e Rio, essa mostra traz para São Paulo algumas das obras dos mais badalados artistas (e outros nem tanto) da chamada Vanguarda Russa e vieram diretamente do Museu Estatal de São Petersburgo. Em meio a um turbilhão de acontecimentos políticos e sociais esses artistas ousaram recorrer à liberdade na escolha de temas, estilos e gêneros de criação propondo novas maneiras de apresentar sua arte no início do século XX.  Esbarraram com a aquilo de mais atual que acontecia no campo artístico europeu e traduziram isso em obras incríveis, posicionando a Rússia na vanguarda da arte mundial.  Essa gente prafrentex, teve como compromisso comum revolucionar a estética de então, mais tarde foram considerados verdadeiros precursores e mesmo defensores fiéis de novos movimentos artísticos, alguns se mantiveram leais até o fim dos seus dias, outros foram passando por vários movimentos e  outros deram conta até criar grupos e de proclamar manifestos.

SUPER! É fascinante estar à frente de obras de Maliévitch, Kandíski e Chagall. Melhor ainda foi perceber que obras representativas de diversos movimentos  suscitaram em mim questões relativas aos temas, às imagens, aos símbolos e aquilo que considero como provocações (no melhor sentido que essa palavra assume) ligadas em maior ou menor grau ao universo gastronômico.

A SACAÇÃO.

Ao começar a exposição sabia apenas que os vanguardistas russos além de artistas também foram viajantes e que apreciaram, por um tempo, representar o tradicional em um novo prisma artístico. Mas também houve os que preferiram usar de elementos que representavam a nova ordem de então, ou os que estavam olhando mesmo para o futuro.

O que me faz escrever sobre o assunto é algo que ficou na minha cabeça nos últimos tempos. Pensei, se o especialista em arte se preocupa com os atributos formais da obra, suas qualidades técnicas e da forma. E se esse ou outros especialistas são capazes de estabelecer um paralelo entre arte e psicanálise (corrente fundada pelo próprio Freud) percebendo o conteúdo latente da obra, e, quem sabe, as intenções do autor, fazendo com que a obra diga mais do que está simplesmente representado ou mesmo algo diferente. Eu como simples apreciador e sem qualquer leitura consistente sobre a temática só posso mesmo me inquietar com a recorrência de vários elementos ligados ao universo gastronômico nas obras desses artistas.

A pergunta fundamental foi: Será porque tantos artistas se utilizam de metáforas construídas sobre a representação do plantio, da colheita, da criação de animais, de um determinado alimento, do homem à mesa, de um casal no restaurante ou de utensílios culinários para mexer com nossa sensibilidade?

ENGROSSANDO O CALDO

Vários temas passaram pela minha cabeça, seja sobre os “detalhes” daquilo que foi representado, seja sobre seu simbolismo.  É óbvio que o que nos emociona numa obra não está ligado exclusivamente à forma do que está representado, mas, sobretudo, àquilo que remete a “vida imaginária do homem”. Mas aquilo que está representado pode ser desse ou daquele jeito, quais os detalhes daquilo que está representado? Caso insista em pensar como um psicanalista, não devo acreditar que pode ser no detalhe que está a essência das coisas e nada pode ser negligenciado?

Mas antes disso, terá a gastronomia algo a contribuir para o conhecimento das artes, uma vez que elementos do seu universo são tão usuais nessas e em outras obras, nesse conjunto ou em outros? Alguém dirá…e vamos à exposição.

Logo na primeira sala a pintura Árvore (1910-11)óleo/tela de Lariónov, mostra em primeiro plano uma árvore e ao fundo distintas senhoras de época.a tree

A árvore (título da obra, que suponho elemento central, onde me sinto compelido a concentrar minha visão). Que espécie de árvore seria essa? Originária dessa ou daquela região? Será que é uma árvore que dá frutos apreciados pela cultura local? Há nessa árvore um animal abatido e dependurado, que animal seria? O consumo da sua carne seria fresco ou passaria por algum processo que garantisse seu consumo posterior – defumação? salga? Com que freqüência se podia ver essa cena à época? Amarrar de ponta a cabeça a proteína animal do almoço era hábito difundido em quais classes sociais?

Foi assim que segui a contemplar a exposição, percebendo que o simbolismo dos quadros (talvez boa parte do que nos encanta) pode ser, em parte, desvendado a partir de um entendimento gastronômico. Ao fim saí convencido de que tudo que envolve a alimentação tem mesmo uma posição estratégica no sistema de valores desses artistas, assim como em diversas sociedades. E finalmente que o mundo se revela mesmo de acordo com nosso interesse.

COLHER DE CHÁ. Anotações sobre as demais 12 obras que remetem de alguma maneira ao conhecimento gastronômico ou alimentar. Read the rest of this entry ?

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